Rima de Quinta é uma vertente do projeto uni-versos, têm a intenção de unir versos descrevendo nosso universo periférico e seu objetivo é a interação musical e o fortalecimento da cultura Hip-Hop
No segundo dia de 2014, andei por
vários locais de Dourados e, no final do dia cheguei em casa cansado. Antes de
brincar com minha cachorra, resolvi verificar as páginas das redes sociais para
encontrar algo interessante ou até mesmo ler as asneiras ditas por tanta gente
que mal começou a vida e já pensa nos dissabores como se fosse à última coisa
que existisse no mundo.
Eis que me deparo com um convite
feito a terceiro sobre o movimento “Rima de Quinta”. O convite veio da minha
amiga e colega de estudos, Tábita Oliveira. Na hora pensei em publicar algo no
blog, mas como não sabia nada do projeto entrei em contato com ela que me jogou
num turbilhão de informações.
A princípio, com base nas informações
passadas por ela, me senti a vontade para escrever, mas Tábita me colocou no
caminho virtual Senkapuz, ou melhor, Fernando Rodrigues Pinto, rapper desde
1995, paulistano de Diadema. “Paulista de criação, pois minha adolescência foi
em Piracicaba interior de São Paulo. Eu sou um jovem de 33 anos”, diz Senkapuz.
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Imagem: facebook/rimadequinta |
Não podia deixar passar em branco
o que significava “Senkapuz” para o movimento. De acordo com o ele, “capuz é o assessório
usado por marginais em ações criminosas, então estou de cara limpa, sou considerado marginal pelo preconceito e venho dar voz aos marginalizados. Sem máscara,
represento o grito do excluído, do pobre, do órfão, do negro, e do menos
favorecido” disse Fernando.
Depois de nossas apresentações cordiais
na rede social, despejei várias perguntas ao meu novo amigo. Acho que ele deve
ter ficado assustado. Mas estava curioso pra saber do que se tratava “Rima de
Quinta”.
Logo recebi muitas respostas
interessantes sobre o mundo hip hop, e como foi idealizado o projeto. De acordo
com Fernando Senkapuz, o movimento “Rima de Quinta”, é um projeto idealizado por
ele, Max Dante, Roberto de Almeida e Alexandre Bife, teve início no final de
abril e começo de maio de 2013. A razão do
nome foi pelo dia dos encontros semanais para estudos e pesquisa. Sempre as
quintas-feiras.
A princípio o projeto iniciou com
cinco m.c's, alguns já trabalhavam na composição das músicas. De lá para cá
vários jovens curiosos e outros interessados, tem participado dos encontros. De
acordo com Fernando Senkapuz, houve encontros com mais de 50 jovens aglomerados
para participar ou curtir as rimas.
O evento é uma vertente do projeto uni-versos, “têm a intenção de unir
versos descrevendo nosso universo periférico e seu objetivo é a interação
musical, ou seja, a musicalização, a melhora da dicção e oratória além do
fortalecimento da cultura Hip-Hop”, disse Fernando Senkapuz.
Os primeiros encontros foram nas
instalações da "Casa Dos Ventos". De lá pra cá, o grupo já passou
pela Praça Antonio João, Parque dos Ipês, Praça do Cinquentenário, Praça do
Parque Alvorada, Parque do Lago, DCE/UFD e pela ADUF – Associação dos
Professores da UFGD.
Durante os encontros itinerantes são
propostos dinâmicas rítmicas, jogo de palavras rimadas, batalhas temáticas
sobre assuntos relevantes como política, meio ambiente, cultura e batalhas
livres, valendo-se da criatividade dos participantes.
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Imagem: arquivo pessoal facebook/Lilian Sarat |
Para Fernando Senkapuz, a ideia é
fazer um registro em CD e DVD do material apresentado nas quintas. “Ainda não
dispomos de recursos básicos, como microfone ou caixa de amplificação, contamos
com a boa vontade de cada participante e do bom e velho improviso, por isso a
dificuldade da captação de material”, conclui ele.
O projeto é aberto para todos os públicos
dispostos ao desafio. Fernando Senkapuz acredita que para crianças, talvez seja
mais difícil, mas não impossível, por exemplo, a filha e a sobrinha dele se
divertem improvisando.
NO QUE CONSISTE A RIMA DE QUINTA
Os 'Mc's'(mestre de cerimônia) ou
participantes desenvolvem juntos dinâmicas de musicalização e rimas para a
melhor interação musical a qual muitas vezes produz o próprio instrumental ou
"Beat's" para rima com a boca, conhecido também como beat box,
palmas, tapinhas pelo corpo, ruídos ou ainda utilizando qualquer coisa que possa
interagir com o ritmo, instrumentos musicais, tais como, pandeiro e carrol.
A rima de improviso é missão do
M.C, elemento fundamental da cultura Hip-Hop que tem como base quatro pilares,
a discotecagem (Dj), a break dance (b.boys e b.girl), a pintura artística de
protesto (grafite) e a rima escrita ou de improviso do M.C.
Para divulgação dos trabalhos, o
grupo escolhe um local diferente toda semana. “Alguns locais já são conhecidos por
terem várias edições do evento”, disse Fernando Senkapuz.
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Imagem: internet |
O grupo atual é responsável por
toda dinâmica do movimento. Para Fernando Senkapuz, quando se faz necessário,
ele se responsabiliza pelos ofícios. Há outros que fazem a parte da criação e
todos divulgam nas redes sociais e no famoso boca a boca.
Atualmente o grupo conta com Fernando
Senkapuz, Alef Rafesh, Marina Vernal, Evelin, Radesh, Max, vários colaboradores
e simpatizantes do movimento.
Fernando Senkapuz afirma que Alef
Rafesh, sempre cria os eventos no grupo. “É um menino muito ativo no movimento
e inclusive voltou a estudar para melhorar o vocabulário nas batalhas de rima”,
afirma ele.
Marina Bernal é técnica em
enfermagem na cidade de Caarapó, vem toda quinta para participar e representar
na rima. Homens e mulheres de diferentes faixas etárias realizam debates
interessantes, garantindo assim, boas risadas.
O movimento não passa o famoso
“chapéu”, mas as pessoas interessadas em ajudar é só procurar o grupo.
SERVIÇO:
Onde: praças públicas de Dourados
Quando: todas as quintas
Horário: 19h ou a combinar
Público: todos os públicos. Menores
com autorização dos responsáveis.