DOURADOS/MS: Nos dias 17 e 18 de abril, a III turma de Artes
Cênicas vai encenar a peça “A Alma Boa de Setsuan”, uma obra de Bertold Brecht, sob direção de Gil Esper.
A apresentação será às 20h, no Núcleo de Artes Cênicas da UFGD, na unidade 2,
mais conhecida como Caixa Preta. A entrada é de graça e livre para todos os
públicos.
A montagem da peça faz parte do projeto “Encenação”,
conhecida dentro da sociedade acadêmica de “Projetão”, que consiste em levar ao
palco todos os alunos do quarto semestre para vivenciar o fazer teatro. Em sua
concepção inclui a produção, cenografia, iluminação, sonoplastia, figurino etc.
Juntamente com as demais disciplinas que se envolvem para compor este processo
de montagem.
De acordo com o acadêmico Danilo Raldi, o texto foi
escolhido pelo coletivo dentre diversas propostas. E sendo Bertolt Brecht um
dos maiores dramaturgos e teóricos da história do teatro, optou-se pela “A Alma
Boa de Setsuan", considerado um dos textos mais famosos do autor.
Danilo vai além, “o público pode esperar uma história
encantadora, com uma estética apurada em que nos faz parar, pensar e refletir
sobre os acontecimentos diante de uma sociedade julgadora. A plateia verá as
referências pesquisadas no coletivo, na direção, na trilha criada e composta
para a apresentação”.
Para Cesar Rodrigues, ansiedade é a palavra que define o
estado de espírito dele, “é a primeira vez que a turma inteira se une em prol
de uma causa. Estamos conhecendo o trabalho de cada um, produzindo e
experimentando juntos pela primeira vez”, disse ele.
A encenação do espetáculo, é também a despedida da turma. A
partir do quinto semestre os acadêmicos terão que optar em bacharel ou
licenciatura. “O processo, bem como o resultado, representa o ‘fim’ de um
ciclo, afirma Cesar.
Já para Raique Moura, ter a oportunidade de
montar um espetáculo dessa magnitude traz mais responsabilidades. “Para mim e
pra todo elenco é um grande aprendizado, pois envolve pesquisa do começo até o
momento da encenação. Espero que o resultado agrade a todos”.
O Acadêmico, Ademir Martins, não vê a hora do especulo
começar. “Nos corredores da faculdade o que se fala é sobre a peça e isso me
deixou muito curioso. Acredito que será algo com uma visão diferente daquilo
que estou acostumado a assistir. Esperar para ser surpreendido mais uma vez”,
afirma o Ademir.
Para promover o espetáculo a turma do Site Fora do Ar criou um trailer do espetáculo, cujos moderadores
também fazem parte do elenco. Veja em:
DO ESPETÁCULO
Em seu texto, Brecht nos faz pensar em como as almas boas
são raras, em como o mundo precisa delas e, principalmente, em como elas
inevitavelmente sofrem por serem boas demais. Isto porque o mundo que as
rodeia, na maioria das vezes, é mau, interesseiro, mesquinho ou simplório e
invisível demais para ser notado. Apesar do pessimismo e da precariedade do
caráter humano, Brecht nos mostra que as almas boas são de extrema importância
e que, mesmo que o caminho seja difícil, o mundo, mesmo sem saber valorizá-las
e reconhecê-las, precisa delas, assim como elas precisam do mundo. Brecht ainda
nos mostra que é preciso encontrar um caminho nesta selva de famintos, nas
quais fomos simplesmente despejados, que não devemos desistir e que ser bom
(apesar de tudo nos levar a crer que essa é uma característica que não tende a
compensar) é o que de melhor podemos fazer a nós mesmos e à nossa consciência.
Afinal, assim como a arte não existe sem paixão, tampouco a vida respira sem
uma simples fresta de bondade, por mais cansada e desiludida que esta esteja. É
por essa fresta que entra luz, a verdadeira luz de um belo espetáculo, como é o
teatro de Brecht! Como dizem as últimas palavras de A Alma Boa de Setsuan:
“Deve haver uma saída. Tem de haver”!
DO SERVIÇO:
ONDE: Núcleo de Artes Cênicas da UFGD – unidade 2 – Caixa
Preta
HORÁRIO: 20H
CLASSIFICAÇÃO: Livre
Redação: Gesse André
Revisora: Renata Vargas
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