Quando fui apresentado ao texto
de Peter Weiss me deparei com a impotência, a inercia e a falta de tesão. O meu
ponto de partida foi a observação. Tive o desejo da concretização, mas também
tive o temor das escolhas incertas, de não encontrar o personagem. Nesse
processo o destino me mostrou um lugar sombrio com um amontoado de retalhos sem
nexo e desconexo na linha de chegada e de partida. Mas foi durante esse
caminho, em alguns momentos perigoso, em outros mais seguro, que eu encontrei a
maior parte das minhas experiências que serão úteis num futuro próximo. Optei
pelo descaminho e resolvi gravar na memória apenas as coisas boas, pois são
essas que nos constroem de fato.
Aceitei todos os riscos desde o
primeiro momento que disse não para a troca de diretor. Desde o momento em que
deixei de contar com uma parceira de cena. Desde a primeira reunião de
elenco/aluno. Todas essas nuances perpassaram pela encenação e mesmo que eu
queira é num projeto como esse que estão todas as áreas de um bom espetáculo:
interpretação, cenografia, execução de figurinos, luz e sonoplastia.
Acredito que tivemos riscos
calculados e medido pela força de vontade desmedida da turma do bem, a entrega
do corpo e da alma para o personagem, o desejo de ir mais longe, de quem lutou
para aproveitar o máximo da experiência dos profissionais que percorreram
alguns momentos dos ensaios, da descoberta do querer mais, desde os primeiros
passos, mesmo não sabendo exatamente que caminho percorrer. É nesse caminho da
incerteza que temos a necessidade de concretizar nosso sonho, o de passar pelo
processo de montagem de um espetáculo.
Pisamos no palco com a certeza de
que não foi uma simples apresentação para obtenção de notas, mas uma
apresentação que nos mostrou que somos sim, capazes de atuar e que somos dignos
das bênçãos dos deuses da arte. Bebemoramos na fonte de
Marat-Sade. Nela descobrimos as duas faces da mesma revolução, ficamos lado a
lado com os loucos representando sabe lá o quê. Se tivemos corpo são e mente sã
para sair dessa experiência como entramos? Não sei.
O processo foi longo, tenso e
intenso. Fomos imaturos. Palavras foram ditas fora do contexto. Ouvimos,
choramos, ficamos possessos, mas também rimos, brincamos, fortalecemos laços de
amizade. Tentamos buscar a persona através dos exercícios. Tivemos momentos de
teoria na qual descobrimos o que a história registrou, os atos políticos,
remexemos dentro da gente os lugares mais longevos e obscuros. Entregamo-nos de
corpo e alma na loucura naquele período assustador e fizemos um parâmetros com
acontecimentos atuais. Pois hoje somos mais inteligente do naqueles tempos já
passados.
Meu agradecimento ao mestre Braz
que acreditou em nós, aos professores que sussurraram palavras de apoio e
motivação. A minha turma que não é assim, uma turma comum... é a turma do
impossível, mesmo nos momentos novela mexicana, não deixou o baixo astral tomar
conta, qualquer coisa, lá estava a turma brincando de “ru”, de bolinha, seja lá
o que for, daqui a pouco tudo será história que iremos contar para os filhos,
netos, sobrinhos, cachorro, periquito, sei lá, para quem estiver afim de ouvir. Meu obrigado vai com um pedido de desculpas pelas falhas, pelas palavras proferidas sem o intuito de magoar, mas que feriu feito ferro em brasa.
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