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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

DESTINOS CRUZADOS

Pulsa-me e impulsa a alegria da simplicidade das coisas... estou voltando pra casa renovado, com uma gana de viver. O líquido que me reverbera é o milagre de um vôo tranquilo.

Hoje aprendi que posso, quero. É meu. São apenas frases feitas para agradar pessoas. O que é meu, o que quero e posso já estão comigo há muito tempo. É só questão de olhar.
Joice Alves
Abrir e fechar ciclos e permanecer o mesmo não está com nada. É hora de voltar para um novo recomeço, para uma vida nova, sem precisar ir além do horizonte. Aceitar o que está na pele, na alma.  Aceitar meu líquido. Uma poção. Um sopro de vida na imensidão.

Neste instante percebo o valor das horas. O vôo Cuiabá – Campo Grande leva exatos sessenta minutos. Minutos eternos. Até parece que estamos voando há dias.

A cada solavanco parece que a barriga vai colar nas costas. Os pés, as pernas, os braços doem, mas não é uma dor física. Parece coisa da alma. Não sei explicar.

O medo toma conta do meu ser. É preciso manter a calma e ter hombridade para, caso morrer, seja como homem feito. Mas quem disse que eu quero morrer? Eu hein?! Ainda não azucrinei, tanto assim, meu povo. Ainda quero ter vários "encons" pela frente.

Barulhinho chato essa campainha da aeromoça, melhor dizendo, comissária de bordo. Minha cabeça dói. Dói tanto que sinto vontade de gritar... como as pessoas dormem nesse vôo. Estarão os anjos protegendo-as, ou é apenas o cansaço de uma noite de festa?

Pra casa agora eu vou. Feliz por andar de avião pela quarta vez no ano. Pela quarta vez sentir borboletas revoarem na barriga, num vai e vem do umbigo a garganta. Que campainha chata. Mais uma vez, “pedimos para apertar os cintos, estamos passando por uma área de instabilidade”... enfim em casa outra vez.

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VÔO 1122, PÉ NO CHÃO COM DESTINO: CUIABÁ

Nosso vôo saiu as 9h47 de Campo Grande no dia 11 de dezembro com destino a Cuiabá, mais precisamente para o SESC/Pantanal em Poconé para o  Encom (Encontro Comercial da RMT)

De repente meu relógio biológico apita, mas homem tem essa noia? Enfim, do meu lado direito, o grávido Diego, do outro lado, a grávida Ana Cláudia. Além de sofrer bulling tecnológico, tenho que ser ouvinte passivo do papo “bebê”. O Francisco chega ao mundo em abril, mas a Maria Clara dá as boas vindas em janeiro de 2014.

Me vejo entre papo sapatinho e parto normal. Ansioso com o tic tac martelando nos ouvidos, ou seria a pressurização do vôo? Sinto vontade de escrever, falta papel, falta caneta. Lá vai o mestre dos magos solicitar aos passageiros. Cutuca daqui, cutuca dali, salvo pela nossa querida “Paola Bracho”, ops, Carolina Nuñez.

De caneta em punho, o desejo de escrever passa como num passe de mágica. Pela primeira vez em uma companhia (gol) onde o lanche tem que ser pago. Valores pela hora da vida. vai ser caro assim lá no céu de Mato Grosso do Sul.

Como assim, não tem capuccino? Pare esse vôo, ela está grávida! Prestação de serviço no Brasil é ruim até no ar. De repente a aeromoça volta do fundo da aeronave a passos largo. Reparo que a nossa Paola saiu do Paraguai para tumultuar no corredor. Gente, essa menina anda mais que porco solto...

O vôo segue tranquilo. Percebo que a tal da cegonha viaja de gol. Em todos os lados, crianças a chamar pela mamãe, mas que droga, não vejo um papai. Será que a cegonha está entregando em escala e parou na da produção independente, ou as crianças curtem mais as mamães, já que elas são as progenitoras? Querendo ou não, são elas quem dá de comer, troca as fraldas sujas e por estar mais tempo por perto dos pirralhos tem preferência pela primeira fala.

Sei lá, só sei que as coisas estão coisadas. Ao fundo ouço alguém dizer: “preciso de um homem para matar as baratas voadoras lá de casa” e eu digo: eu também baby, preciso de um para cortar a grama, lavar o carro, jogar futebol por mim, pois essa vida de macho alfa, as vezes cansa. 

domingo, 8 de dezembro de 2013

DE REPENTE, A VIDA

Da desistência. Da falta de aula podem surgir novos caminhos, novas amizades... reforçar carinhos, simpatias. Hoje (sábado – 07/12/13), José, Cássia, Ana e eu, ficamos perdidos numa manhã na fazendinha UFGD. Aproveitamos para trocar experiências, vivências que ficarão marcadas para sempre em nossas vidas.

A aula? Não teve. A galera antenada nas redes sociais viu em tempo a mensagem da professora: “travei novamente minha coluna, a aula de hoje esta cancelada. Remarcarei esta aula posteriormente. Por favor, quem ver este avise os demais. Curta este post, para eu saber quem viu”, assim ficamos sabemos da triste situação. Logo, essa galera não compareceu, mas o quarteto fantástico, que de fantástico não tem nada, se viu diante de um dilema: voltar para casa ou estudar. Optamos em papear sobre performance, intervenção e sobre filmes épicos e as bobeiras feitas apenas pra vender.

Rolou de tudo, de hotel Ruanda a X-men. De repente, Cássia e José tiveram a brilhante ideia de realizar uma intervenção no ponto de ônibus. Mas como fazer, o que fazer? Enfim, decidimos que teria que ser algo simples, que não chocasse tanto, já que não tínhamos a professora por perto.

Pela primeira vez, pelo menos pra mim, fizemos uma intervenção sem orientação... foi uma loucura, mas proveitosa. Como éramos quatro, cada dupla sentou numa ponta do banco do ponto de ônibus. assim, consistia a intervenção.  

Entretanto, faltava gente, já que na hora da decisão o coletivo passou. Ficamos cerca de 20 minutos a esperar, até que uma moça sentou entre nós e ficamos totalmente em silêncio. No outro ponto vários rapazes da agronomia e engenharia começaram a se aglomerar... uma ótima oportunidade.

A princípio travamos uma luta pelo tereré e lógico, ofensas pessoais, mas o que mais chamou a atenção foi o medo das pessoas. Muitas delas simplesmente nos ignoraram e nem sequer aceitou nosso bom dia.

Enfim, lá pelas tantas, um grupo de pessoas passou a jogar conosco. Ah, fomos chamados de malucos, doidos, pessoas que não tinham o que fazer. Sempre levamos na esportiva e evitamos qualquer tipo de ofensa a terceiro ou quando percebíamos que éramos ofendidos, saíamos à francesa.

A Ana Lúcia só sabia rir, o José travava lutas imaginárias, a Cássia era a apaziguadora dos conflitos e eu o leso que fazia de tudo para atrapalhar o marasmo das pessoas. Antes do meio dia já tínhamos feito um grupo de amigos que entrou no jogo, mesmo uma garota negra não aceitando que falássemos sobre negros.

A lição que tiramos de tudo isso é que o preconceito, o medo, a vergonha e a não aceitação do novo faz com que as pessoas saiam pela tangente. Mas acreditamos que fizemos a nossa parte, já que muita gente se sentiu incomodada e pensativa. Que venham mais intervenções nessa vida de gente grande!

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